Discurso para a assembleia do PSOL no dia 24/09/2011
Senhores presentes a esta solenidade, aqueles que me veem hoje usando a palavra para representar um partido político podem externar certa surpresa. Sou obrigado a concordar que têm toda razão. Mantive-me até este ano de 2011 afastado de qualquer assunto que envolvesse a política partidária. Recusei propostas tentadoras para ingressar em alguns partidos, porque via na política uma lameira infecta. Minha atuação, se acontecia, era através do meu lado crítico e sarcástico. Nunca poupei políticos demagogos nem parasitas inescrupulosos. Sempre condenei os que encaram a política como um negócio lucrativo. Sempre fui contra aqueles que tratam o povo como gado que se arrebanha a cada dois anos. Fui e serei eternamente contrário aos que promovem festas e se divertem por cima da miséria do povão. Ataquei com veemência a política de favor. Repudiei os homens que pediam às suas vítimas que os adorassem. Nunca fui de pedir favor, mas de clamar por justiça. Em resumo, eu não trazia o perfil que me enquadrasse em nenhum partido político. Acho que não nasci descrente dos homens. Meu pai até me ensinou adorar alguns, mas antes que se confirmasse a minha idolatria li Graciliano Ramos. Ele impediu que o bacilo da política podre me contaminasse. Com o autor de vidas secas, consegui enxergar um mundo diferente daquele que me apresentaram; aprendi o significado da palavra exploração; aprendi que nenhum bem material pode comprar a liberdade; aprendi a formular os meus conceitos de homem; aprendi que por trás de quase toda ação de generosidade existe um interesse maior do praticante; foi de Graciliano Ramos que recebi as primeiras lições de políticas. Vejo Paulo Honório estampado nos rostos dos homens bons que são cultuados porque ofertaram migalhas para uma população miserável. A todo o momento me deparo com o Padilha lá de São Bernardo pedindo desculpas ao patrão porque este lhe flagrou dizendo uma verdade. Vejo um Marciano tratado como molambo e Rosa, sua mulher, com uma meia dúzia de filhos pequenos, pedindo um pouco de farinha ao patrão explorador. São tantas coisas que passei a enxergar que por mais que eu quisesse voltar ao que era antes de conhecer o escritor alagoano, eu não podia mais. Também ouvi muitos chavões a respeito de política que me causaram bastante desestímulo. “Quer perder a vergonha, entre na política”. “todo político é igual”. “honestidade e sinceridade são incompatíveis com política”. Foram anos que levei para desmistificar isso. Percebi que foram barreiras que os poderosos criaram para se perpetuar no poder. Não creio que no meio de gente existam pessoas pessoa que almejem desfrutar da fatia da miséria; pessoa que neguem os direitos básicos a qualquer cidadão da nossa terra que tenham ou não votado no seu partido. É por acreditar nisso que formamos esse grupo para ingressar no partido sem estrelas, pelos menos a nível local. Vimos que o PSOL( partido socialismo e liberdade) traz uma filosofia que não envergonha, em termos ideológicos, a nenhum cidadão que veja na decência e na justiça algo de valor. Foram vários encontros que tivemos até chegarmos à corajosa decisão de formarmos e apresentarmos este partido minúsculo para a sociedade. É um ato de coragem enveredar na política utilizando um recurso totalmente adverso daqueles utilizados pelos políticos convencionais. A verdade, a pregação da liberdade, a justiça social irão ser assuntos constantes da nossa pauta. Não importa o tempo que levaremos para alcançarmos os nossos objetivos. Independentemente dos resultados das próximas eleições, já somos vencedores. Somos livres numa sociedade escrava do consumo, escrava do poder, escrava do status social. Como já disse Francóis Fénelon, “o mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão”. Vamos distribuir sementes de liberdade pelos longínquos cantos desse município. Temos a certeza de que muitas delas serão esmagadas, mas outras frutificarão. Portanto, dou ao PSOL o meu voto de inteira confiabilidade para juntos lutarmos por uma política de renovação. Aos integrantes desse partido a nível local, peço fidelidade aos nossos ideais. Cada um de nós assumiu o compromisso de lutar por uma sociedade igualitária, justa e fraterna. Vamos firmes com este partido. Agora podemos dizer que o PSOL nasceu na cidade de PEREIRO. Cabe a nós regá-lo e fazê-lo prosperar.
Joacir Rocha, 24/09/2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário