quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Senhores,

Achei deprimente a situação da Câmara municipal de Pereiro nesta tarde de 19/08/2011. O desgaste por causa do irrisório aumento que oscilava entre 13 e 15 por cento no valor do salário bruto do professor chegou ao ápice. Por pouco não houve sangue derramado literalmente. Porém, muita gente saiu dali com o coração sangrando. Assistimos, ao vivo, à morte e ao sepultamento da educação de Pereiro, que, a bem da verdade, já era quase morta se comparada à educação de países que levam isso a sério. A reivindicação consciente dos professores sofreu um ataque violento do doutor Célio Aquino, quando desqualificou o vereador de cinco mandatos, Carlos Alberto de Negreiros, taxando-o de não saber interpretar um artigo de uma lei. É lamentável que alguns professores tenham vibrado com a ofensa. No mínimo, deveríamos fazer uma reflexão profunda sobre o teor semântico do discurso do nobre advogado. Se Carlos Alberto, que tem um vasto currículo ( Diretor da escola que formou a maioria absoluta dos professores que ora exigem um maior reconhecimento da profissão, cinco mandatos de vereador, Secretário de educação deste munícipio por quatro anos, assina, com certeza, mais de um periódico, portanto, atualizado. ) ainda é chamado de ignorante, qual seria a classificação de nós professores que somos sugados inteiramente dentro de sala de aula? Vocês que se regozijaram com a “vitória”, quem sabe até participaram do churrasco de comemoração juntamente com a comitiva do senhor prefeito, lembrem-se de que os vossos filhos serão educados por esses homens ignorantes. Isso mesmo. São os professores desqualificados que irão continuar atuando aqui para fazer essa bela educação. Os filhos do Doutor Célio, com certeza, não estudarão nesta lameira que virou a escola pública hoje em dia. Os filhos do doutor Célio não irão pegar numa enxada como o pai afirma ter pegado, embora não lhe tenha trazido nenhuma sensibilidade. Uma poupança gorda já os espera.

Da mesma forma, os filhos do senhor prefeito, em se tratando também de quererem estudar, podem escolher a melhor escola. Ou simplesmente podem se tornar administradores dos bens que o pai conseguiu com muito suor. E os filhos de vocês apoiadores dos que depreciam a educação pública, para onde irão?

Certamente assumirão o posto de muitos bajuladores sem escrúpulo que vemos transitando no meio do povo. Sem dúvida, a ignorância é o alimento principal da política do nosso país. É bem mais cômodo lidar com pessoas incapazes de fazer uma reflexão crítica sobre os fatos.

Eu esperava que o vereador Josué Neto, como um aspirante advogado, tivesse sido mais enfático na sua fala. Questões como o desprestígio da profissão de professor nos dias atuais deveriam ter sido levantadas. Nem mesmo o pior aluno que temos em sala diz que quer ser professor. Isso, julgo o ponto máximo do desestímulo. Como se explica uma profissão tão nobre, como dizem os demagogos, ser tão rejeitada? Apesar da lama da política, não são poucos os que querem usufruir desse posto. Mas ser professor, trabalhar honestamente e se organizar com 700 reais mensal é motivo de vergonha. É revoltante ver o nosso dinheiro público sendo gasto para pagar advogados para atuarem contra um insignificante aumento no salário dos professores. Neste momento eu gostaria de provocar aqueles e aquelas que já andaram com Paulo Freire debaixo do braço. Chegou a hora de fazer uma fogueira desses livros. Vocês já alcançaram o topo da hipocrisia. Conseguem ser indiferentes a uma causa coletiva sem que a consciência lhes provoque qualquer mal-estar. Vendo a força com que doutor Célio investiu, apoiado pela maioria dos vereadores presentes, contra o modesto grupo de professores, lembrei-me de uma fase sinistra da nossa história- A Guerra de Canudos. Na última fase dessa guerra um exército com canhões e fuzis esmagava, aos esturros, um remanescente de miseráveis comandados por Antônio Conselheiro. Não ocasião, cabeças foram arrancadas e levadas ao governo como justificativa da vitória. Vitória? O fato é que ninguém prova que a miséria acabou.

O general da guerra que perdemos desta vez manteve-se de fora, ouvindo os estrondos dos tiros disparados contra nós. Os algozes entregaram a cabeça da nossa educação para ser comemorada com festa. Desculpe pelos vexames que causamos. Pereiro agora está livre para crescer. A exigência de uma educação de qualidade era o entrave para este município ser reconhecido internacionalmente. Agora é só comemorar. Vocês conseguiram matar o dragão que tirava a paciência do gestor. O prêmio pode não demorar a achegar as vossas mãos. Vamos lá “meu povo marcado”

Professor analfabeto Joacir Rocha, 19/08/2011.

Parada da educação

Por que paramos? Certamente obteremos a resposta paradoxal: paramos para a educação andar. Não mais suportaremos esse andar lento, interrompido pela demagogia. Há tempo ardemos nas bocas de demagogos ou nas bocas dos por eles manipulados. A profissão linda, gratificante, como muitos falam por aí, está a cada dia mais difícil de ser exercida. Desrespeito, arbitrariedade, sobrecarga de trabalho e por que não dizer salário extremamente injusto. Chega a ser doloroso ouvir do aluno menos comprometido da sala a frase: eu não quero ser professor. Os filhos dos grandes políticos talvez sejam levados para fazer exames psiquiátricos, caso digam que querem exercer a função de magistério. Esses dois casos extremos comprovam que a nossa educação não é uma maravilha. Aliás, tem sido para quem não pega no pincel ou no giz. Nós que travamos a luta corpo a corpo somos escravos de um sistema impiedoso. Somos escravizados visivelmente, e, se reivindicamos qualquer melhora, aparece sempre um carrasco para nos cortar com a frase “se não está bom, deixe”. Enquanto o correto seria alguém dizerse não está bom, mude” E é por essa mudança que estamos primando. Lutamos muito para chegarmos aqui. Muitos de nós vimos o pai comprometer a feira já tão reduzida para comprar um caderno, um borracha, um lápis. Talvez a necessidade a que eram submetidos passar, fosse aliviada quando pensava que o seu filho um dia pudesse ter melhor sorte que ele e chegasse a ser um professor. E tivemos. Chegamos, com certeza, ao lugar que nossos pais achavam ser o mais nobre , mas talvez eles se esqueceram de que morávamos num país chamado Brasil- haja vista que muitos deles não tiveram oportunidade de sequer aprender a assinar o próprio nome. Porém, agora somos forçados a abandonar o que conseguimos a troco de tanto esforço. A educação não caminha, e somos nós que questionamos, somos nós que combatemos a demagogia que temos quer ceder caminho para os que têm sede de poder. Mesmo as pessoas que mais sofrem por falta dela nos apontam e nos acusam. Não é justo que nos sugiram apenas a retirada do nosso time de campo. Prender um pássaro durante anos e soltá-lo sem qualquer proteção, é covardia. Analogamente, é muito difícil para alguém que já perdeu muito tempo de sua vida ouvindo promessas de dias melhores, ser expulso da fila de espera de forma abrupta. E que esta parada não signifique um dia de descanso, até porque já fomos intimados a pagá-lo, aliás professor é o ente que menos deve nesse país, mas que nos proporcione reflexões necessárias para o bem-estar desta classe dividida. Um dia como esse de hoje não era para contarmos apenas com meia dúzia de inconformados, mas com toda a comunidade pereirense, inclusive com os professores que hoje exercem cargos comissionados, para juntos promovermos uma discussão ampla e objetiva no sentido de engatar a marcha da educação neste município. Quem lucraria com isso não seria somente Arimaci, o testa de ferro deste movimento, mas a Pereiro inteira. Seria de extrema relevância que, neste momento, todos nós nos uníssemos no combate a essa força coercitiva da política que tem esmagados os sonhos de muitos educadores. Deveras lamentamos não termos o poder e a capacidade de organização de enviarmos carro de som para avisarmos do nosso manifesto. Fomos medrosos. Tememos comprometer o nosso salário e ainda lembramos que não tínhamos nenhuma obra para ser apresentada. Professor só edifica cérebros o que não chega a ter tanta importância porque muitos preferem a usar a cabeça de papelão, desde que lhes renda benefícios imediatos. Que numa próxima parada, pelo menos possamos contar com os nossos colegas que empenharam as suas cabeças originais em troca de um carguinho chinfrim da escala hierárquica . Lembremos de que o homem sem liberdade é uma caixa vazia que pode ser usada conforme a vontade de quem a tem. Somos professores e quando fomos mandados para cá nos disseram que o verdadeiro professor é aquele que educa para a liberdade. Estamos a caminho. Sigam-nos os bons.

16/08/2011 joacir Rocha

Declaração

Há tempo lhe paquero e te quero

mas você é tão fria que nem percebe

O meu peito todo dia recebe

A descarga dessa paixão de menino.

O meu amor clandestino resiste

em lhe ter meu coração só insiste.

Que ainda não lhe toquei é o que sei

Mas pra lhe ter comigo sempre luto

Insulto os que me tiram as esperanças

De em seus finos cabelos fazer tranças

E que cada laço me enlace a ti

E que toda sua face se abra num sorrir.

Posso sentir que se passaram os anos

Mas você não mudou e mesmo muda

Me diz: espere um pouco. seu tempo

Chegou. E me estende uma flor

De prata que parodia os grisalhos

Cabelos que ainda me restam. A testa

lisa atesta a recompensa da minha

longa espera. Tudo é primavera

agora que te encontrei. É cheguei

e ganho o descanso no seu leito

Fui eleito pra te admirar e aceito

O tempo muda sem mudar meu jeito.

De amar incondicional. Anormal

Há quem diga e não me importo

Suporto ouvir tudo porque a voz

Que escuto é esta que se faz

No seu silêncio demais prolongado

Ao mundo deixo meu amor declarado.

Joacir26/09/2010

Argumentos do coração

Que devemos nos amar meu coração

É quem tem argumento e me convence

Que a paixão a razão ah! É quem vence.

Estou disposto a servi-lo por que não

Vejo crime em querer-te. A proporção

Que o tempo passa este amor cresce.

Quem for contra é sinal que desconhece

Os desmandos de um peito com paixão.

Compaixão de mim não sinta... Sinto dor

Mas é de amor que preciso e não de pena.

O juiz mais ferrenho não condena

Quem comete delitos de amor.

.Este é meu argumento, e quando for

Convencida, espero que me entenda.

Joacir 09/08/2011

Primeiro encontro do PSOL DE PEREIRO

Não era o grupo de inconfidentes mineiros, mas tinha certa semelhança. Na casa de Zé de Izaltino, às margens do açude público municipal Adauto Bezerra, numa casa quase centenária, rodeada de cercas, cheiro de bosta de gado, fogão a lenha, terreiro tomado por sombras de gigantescas algarobeiras, os penhascos lavados com água das primeiras chuvas nos olhando de bem próximo com sinal de aprovação. Foi nesse cenário bucólico que se reuniu um pequeno número de homens no intuito de implantar a célula do PSOL na cidade de Pereiro.

A simplicidade do ambiente escolhido pelo grupo fez-me lembrar do movimento árcade brasileiro, ocorrido essencialmente em Minas Gerais no final do século XVlll, liderado quase com exclusividade por poetas. Naquela época, intelectuais planejaram uma conspiração contra o governo português no momento da cobrança do ouro (A derrama). O nosso grupo se difere do grupo referido porque é mais eclético quanto a composição ( é composto por agricultores, professores, advogado e estudantes) e o pensamento converge para a defesa de uma causa coletiva. O que queremos não é conspirar, mas plantar a semente de rejeição aos atuais modelos políticos implantados neste vasto e desigual Brasil e, em particular, na nossa cidade. Não se trata de um grupo de revoltosos, mas de esperançosos de que ainda é possível se fazer um governo pautado na democracia, na ética, na solidariedade, nos bons princípios, na inclusão.

Mais do que chegar ao poder pretendemos combater o abuso de poder. Queremos que o eu ceda lugar ao nós. Não queremos falar pelo povo porque a nossa proposta é fazer com que o povo tenha voz. Essa voz deve eclodir a partir de uma política de distribuição mais justa; Quando a verdade for o retrato pregado por cada político na porta de seu eleitor; essa voz deve soar estridente quando a conscientização for a meta principal de cada governo. O povo deve compreender, antes de receber qualquer favor, que o político tem a obrigação moral de trabalhar em defesa da classe a qual representa. É o político que já entra devendo ao povo, enquanto que percebemos o contrário.

Estamos convictos da dificuldade de falar de política da forma que efetivamente deveria ser feita. É difícil fazer com que a gente acorrentada compreenda que o político é um funcionário por sinal muito bem pago para nos representar bem. Para se alcançar essa compreensão, sabemos que é um processo extremamente lento uma vez que já são quase 500 anos de maus costumes, de dominação, de opressão etc de forma que o que defendemos chega a ser absurdo. Porém, se fosse para ser igual, nos juntaríamos ao grupo que já comanda e arrebanha o povo que aceita a canga sem mais sentir as feridas que ela causa. Era bem mais fácil porque toda uma infraestrutura dominação já estava montada. Era só dar continuidade ao fortalecimento desse domínio. Mas repudiamos isso.

Já é uma vitória para nós se este grupo continuar fortalecido. Que os interesses imediatos não entravem a nossa marcha rumo à democracia. Queremos alcançar o sucesso sem heróis e sem mártires. Que daqui não saia Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) nem Joaquim Silvério dos Reis. Aqui não existe um devedor. O grupo inteiro deve o compromisso de continuar alimentando a esperança de uma política de renovação. O ouro que temos não é para ser sonegado. Queremos mais é que ele brilhe mesmo e se multiplique nas mentes de pessoas que ainda conseguem ser sensíveis diante dessa miséria trazida por esse capitalismo desenfreado. As primeiras sementes de ouro já foram plantadas no terreiro do senhor Zé de Izaltino e ainda andamos à procura de mais semeadores. Que os invejosos não joguem sal naquela terra estrumada de ideias voltadas para o bem- estar coletivo.

Joacir, 22/01/2011