terça-feira, 31 de maio de 2011

Mais do que o aumento...


Hoje foi o grande dia da educação de Pereiro. Por cinco votos a quatro, num jogo disputadíssimo, foi aprovada a emenda que garante 15% de aumento ao salário do professor público municipal. 105 reais a mais. Uma quantia irrisória. Não representa mais, pecuniariamente falando, do que o valor da conta de água e luz, mas foi comemorado pelo grupo de professores como se a seleção brasileira tivesse feito um gol contra a Argentina, no final da copa do mundo, no último minuto dos acréscimos da etapa complementar.
Sem dúvida, a comemoração foi menos pelo aumento do que pelo sentimento de liberdade ideológica. Não é mais a paixão que nos guia. Os números falam mais alto e estão a disposição de quem queira formular um discurso mais fundamentado.Os donos do poder ou os donos da verdade como prefiram ser chamados já não manipulam com tanta facilidade o nosso grupo simples, no que diz respeito a valorização e remuneração, mas que de consciência vem se munindo a cada dia. É este o motivo maior da nossa vibração. Ver o nosso nobre colega Arimaci Negreiros - taxado por muitos como louco, alcoólatra e incapaz - manuseando os números, com a destreza de um grande economista, é maravilhoso. Há quem diga que os professores estão mal representados, mas, só fazendo justiça, a classe de professores nunca foi tão bem servida como está sendo agora. Alguém pode até discutir a vida pessoal do presidente da APEOC em Pereiro, que somente a ele interessa, porém, jamais alguém pode dizer que não é ele hoje um profundo conhecedor das leis concernentes à educação.
Não só Arimaci mas também outros tantos estão adquirindo amadurecimento. São poucos os que, entre a gente, ainda agradecem favores políticos. E isso é sinônimo de crescimento na educação e deveria ser considerado tal qual como a elevação do índice do ideb.Todos têm que entender que essa classe acordou. Promessas de políticos mal intencionados, que sejam eles cultos ou leigos, dificilmente, irá nos atrair. Somos conscientes de que ninguém fora os próprios professores tem intenção de beneficiar este grupo tão massacrado. Não mais nos comovemos com discursos de doutores nem tampouco nos amedrontamos com ameaças de truculentos. Do nosso lado, a razão. Sendo garantidos os nossos direitos básicos, as esmolas certamente são dispensáveis. Sem dúvida pagamos caro pela nossa rebeldia. Somos, é verdade, a classe mais rejeitada pelo executivo e também por alguns legisladores, que têm pouca sensibilidade para perceber as abstrações do mundo do conhecimento.
A rejeição ao professor se acentua ainda mais quando, cumprindo a lei municipal dos servidores da educação, o executivo vê-se obrigado a atualizar o salário dos funcionários, o que não deixa de ser bastante desgastante. Este ano, por que não admitir, um aumento até considerável (15%). Já fiz, inclusive, os cálculos. Em se tratando de ser sancionada a emenda apresentada pelos vereadores da oposição, cada professor receberá 1260 reais durante o ano. Isso nos deixa esperançoso. Sendo mantido este aumento, daqui a 55 (cinqüenta e cinco) anos, cada professor, vencendo a jornada de trabalho excessiva, os maus-tratos do dia-a-dia e outras adversidades da profissão, comprará um carro no valor de 69200 reais a semelhança do que receberá cada vereador do Rio de Janeiro. Quem sabe nesse tempo possamos ter também a concessão do combustível grátis.
Enquanto o nosso desfrute não chega, vamos rezar pelos vereadores que nos deram esse prêmio, principalmente, pela vereadora que desempatou o jogo, depois de um demorado puxão de orelha nesse povo que só se apresenta na Câmara em dia de votação de aumento a seu favor. As palmas não irão para os dois principais vereadores de oposição que tiverem atuação digna, diga-se de passagem.Também não irão para Seu Luís, embora mereça pela franqueza com que admitiu publicamente a sua subserviência ao gestor, ao dizer que votava a favor da emenda dos10%, obedecendo a uma recomendação do Doutor Alexson (este para quem não o conhece é um legítimo filho de uma professora e deve ser bem familiarizado com esta problemática da desvalorização docente). Por enquanto, merece aplausos o esforçado e consciente Arimaci, que dentro da coerência e da racionalidade, vem tirando a paciência dos mandatários desta cidade. E, mais do que aumento, comemoramos os efeitos da nossa consciência que, sem dúvida, terá efeito mais duradouro.


Professor Joacir Rocha, 14/05/2011