Hoje, para fugir do tédio, tentei por em prática algumas das teorias que norteiam o ensino de língua portuguesa. A sala, pouco arejada e de iluminação comprometida, me impulsionou a tomar a decisão de aproveitar o espaço mais amplo da quadra de esporte, contígua à escola, para ministrar uma aula de português. O tema não era lá tão relevante. Eu tinha em mãos uma crônica de Olavo Bilac, cujo título era prostituição infantil.
Terminada a freqüência, meus discípulos foram se dirigindo à porta que dava acesso à sala improvisada que, ao contrário de outros dias, encontrava-se a cadeado. Esperei alguns instantes pela menina que tem a incumbência de realizar esse serviço, mas ela, obedecendo à ordem superior, não veio nos atender. Para a nossa surpresa, a própria DIRETORA da instituição foi quem apareceu, com toda a prepotência concentrada, para por fim nessa desordem. Diga-se de passagem, dar aula fora das quatro paredes fica para quem não tem responsabilidade profissional.
Ao chegar, a suprema diretora, ignorando o termo democracia, disse para o grupo estupefato que a minha aula não podia acontecer na quadra, uma vez que os alunos já haviam passado o primeiro horário neste ambiente. Eu aleguei que ia dar aula e não brincar. Sem argumento, a ilustre DIRETORA mencionou a estadia de um freezer nas limitações da quadra, que poderia sofrer violações pelo o meu grupo de meninos.
As duas justificativas dadas por ela me encheram de indignação. Nas entrelinhas, meu colega foi chamado de incompetente e eu, de irresponsável. Ao longo desses três anos de trabalho, eu não formei uma turma que possa preservar um bem da escola, o que é, no mínimo, deprimente.
A reflexão que essa amarga situação me leva a fazer é que é fácil cuidar do normal. A minha inigualável diretora teve o prazer de me fazer voltar da porta de uma aula diferente, mas não consegue conter os anjinhos que pulam a murada da escola rotineiramente. Se eu estivesse na condição de um professor de história, iria aproveitar tal episódio para dar uma aula sobre bode expiatório. Como sou professor de português, aproveito para presentear os meus digníssimos alunos com esta crônica, que, com toda a singularidade, registra um momento amargo que passamos juntos. Uma aula diferente.
Joacir Rocha,31/05/2010
Terminada a freqüência, meus discípulos foram se dirigindo à porta que dava acesso à sala improvisada que, ao contrário de outros dias, encontrava-se a cadeado. Esperei alguns instantes pela menina que tem a incumbência de realizar esse serviço, mas ela, obedecendo à ordem superior, não veio nos atender. Para a nossa surpresa, a própria DIRETORA da instituição foi quem apareceu, com toda a prepotência concentrada, para por fim nessa desordem. Diga-se de passagem, dar aula fora das quatro paredes fica para quem não tem responsabilidade profissional.
Ao chegar, a suprema diretora, ignorando o termo democracia, disse para o grupo estupefato que a minha aula não podia acontecer na quadra, uma vez que os alunos já haviam passado o primeiro horário neste ambiente. Eu aleguei que ia dar aula e não brincar. Sem argumento, a ilustre DIRETORA mencionou a estadia de um freezer nas limitações da quadra, que poderia sofrer violações pelo o meu grupo de meninos.
As duas justificativas dadas por ela me encheram de indignação. Nas entrelinhas, meu colega foi chamado de incompetente e eu, de irresponsável. Ao longo desses três anos de trabalho, eu não formei uma turma que possa preservar um bem da escola, o que é, no mínimo, deprimente.
A reflexão que essa amarga situação me leva a fazer é que é fácil cuidar do normal. A minha inigualável diretora teve o prazer de me fazer voltar da porta de uma aula diferente, mas não consegue conter os anjinhos que pulam a murada da escola rotineiramente. Se eu estivesse na condição de um professor de história, iria aproveitar tal episódio para dar uma aula sobre bode expiatório. Como sou professor de português, aproveito para presentear os meus digníssimos alunos com esta crônica, que, com toda a singularidade, registra um momento amargo que passamos juntos. Uma aula diferente.
Joacir Rocha,31/05/2010