Se lhe responde
No encontro para a votação do veto do aumento de 15%no salário dos professores, na Câmara municipal de Pereiro, no dia 28/05/2011, duas coisas me inquietaram, e quase pedi, ciente de que estaria ferindo o regimento da casa, um espaço para me pronunciar. A primeira foi a de que esse acréscimo seria prejudicial para este município. Isso é louvável. Preocupação em não fazer o que é nocivo para a população é sinônimo de avanço. Ora, com certeza, a partir de agora, outras coisas, como este milionário aumento, serão analisadas sob o ângulo da prejudicialidade à população. Finalmente acordaram para prejuízos evitáveis.
É muito bom ter a certeza de que a partir de agora não mais veremos, durante as campanhas eleitorais, milhares de jovens, sem outra opção de lazer e de diversão, em cima de caminhões, carregados como gado para enfeitar os currais eleitorais. É irrefutável que durante este período eles ficam expostos aos mais diversos tipos de violência. Exploração sexual, exploração no trabalho, coerção política ( a paga do favor com voto ) sem esquecer de que o número de acidentes cresce bastante nessa época, o que acarreta prejuízos indescritíveis para a população e para os cofres públicos
.De gravidade não menos acentuada, podemos apontar também o aumento de gravidez indesejada que traz prejuízos incalculáveis para a sociedade. O controle da taxa de natalidade é feito, em países que tem a educação como prioridade, até por pessoas que gozam de independência financeira e ideológica. Nesses países, todos têm consciência de que uma população jovem requer investimento maciço na saúde e na educação. Caso contrário, os reflexos negativos aparecem de imediato. Pais despreparados têm poucas condições de acompanhar os filhos na escola, o que sobrecarrega o professor uma vez que deve assumir o papel que deveria ser da família. E continuo achando que um aumento de 15% por cento no nosso salário é um ato menos nocivo do que estes que vemos acontecer a cada dois anos, que a população não é esclarecida dos seus danos. Ainda considero de uma nocividade imensurável gostos milionários numa campanha eleitoreira. Assim fica determinado que somente os que têm a maior soma de recursos financeiros têm o direito de ser bom, embora promovam a cegueira a milhares de pessoas.
A segunda coisa que me inquietou foi a afirmação que os professores preocupavam-se apenas em cobrar salário, mas não pediam aos alunos para que preservassem o patrimônio público. Acredito que não exista nenhum professor fazendo apologia ao vandalismo dentro da escola ou fora dela. Quando vejo um aluno destruindo uma cadeira, riscando uma parede ou não zelando do próprio material didático sinto-me mutilado porque vejo que o povo que estamos formando não adquiriu sequer a capacidade de aproveitar o mínimo do que lhe é oferecido. Até aceito com humildade que somos impotentes mesmos. Em pouco ou quase nada modificamos a mentalidade, a conduta dos nossos discentes. Se falarem que somos impotentes diante da ignorância que habita, sem previsão de saída, as escolas devemos aceitar, mas não que somos omissos.
Os alunos que destroem os ônibus novos são os mesmos que rejeitam a música de um Zé Ramalho por causa de sua feiúra, são mesmos que chamam Gilberto de Gil de porcaria, Chico Buarque de agouro, Oswaldo Montenegro de brega, que não conhece nada de Zé Geraldo, mas que dizem com convicção que música de verdade é o forró. Os alunos que destroem a escola são os mesmos que não assistem a um jornal por ser coisa de velho, são os mesmos que estão alheios ao enriquecimento absurdo da Palocci; são os mesmos que não perdem tempo lendo um livro; são os mesmos que convidam na festa de formatura um político quem nem conhece o seu nome para receber título de paraninfo da turma, figurando o professor na lista dos homenageados. E não é por falta de debate em sala, de puxões de orelhas constantes que esses absurdos continuam acontecendo.
Fica provado que as mudanças não acontecem tão rapidamente e que prédios, ônibus, estradas são necessários para o desenvolvimento da educação, mas não são imprescindíveis. já que os ônibus pouco alteraram o quadro da nossa educação, passemos a valorizar o conhecimento e os profissionais, claro, que analisando rigorosamente o custo-benefício para não cairmos na nocividade. Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos fazer campanha para que o aluno volte a ter respeito por essa figura tão estigmatizada que é o professor. Uma boa iniciativa é lhe pagar um salário justo que lhe garanta o direito de viver com dignidade.
Portanto, a partir de agora caminhemos juntos na luta contra o nocivo, contra o prejudicial à sociedade, contra o vandalismo na escola. Primemos por uma sociedade purificada e harmônica.