domingo, 19 de fevereiro de 2012

Se lhe responde

No encontro para a votação do veto do aumento de 15%no salário dos professores, na Câmara municipal de Pereiro, no dia 28/05/2011, duas coisas me inquietaram, e quase pedi, ciente de que estaria ferindo o regimento da casa, um espaço para me pronunciar. A primeira foi a de que esse acréscimo seria prejudicial para este município. Isso é louvável. Preocupação em não fazer o que é nocivo para a população é sinônimo de avanço. Ora, com certeza, a partir de agora, outras coisas, como este milionário aumento, serão analisadas sob o ângulo da prejudicialidade à população. Finalmente acordaram para prejuízos evitáveis.

É muito bom ter a certeza de que a partir de agora não mais veremos, durante as campanhas eleitorais, milhares de jovens, sem outra opção de lazer e de diversão, em cima de caminhões, carregados como gado para enfeitar os currais eleitorais. É irrefutável que durante este período eles ficam expostos aos mais diversos tipos de violência. Exploração sexual, exploração no trabalho, coerção política ( a paga do favor com voto ) sem esquecer de que o número de acidentes cresce bastante nessa época, o que acarreta prejuízos indescritíveis para a população e para os cofres públicos

.De gravidade não menos acentuada, podemos apontar também o aumento de gravidez indesejada que traz prejuízos incalculáveis para a sociedade. O controle da taxa de natalidade é feito, em países que tem a educação como prioridade, até por pessoas que gozam de independência financeira e ideológica. Nesses países, todos têm consciência de que uma população jovem requer investimento maciço na saúde e na educação. Caso contrário, os reflexos negativos aparecem de imediato. Pais despreparados têm poucas condições de acompanhar os filhos na escola, o que sobrecarrega o professor uma vez que deve assumir o papel que deveria ser da família. E continuo achando que um aumento de 15% por cento no nosso salário é um ato menos nocivo do que estes que vemos acontecer a cada dois anos, que a população não é esclarecida dos seus danos. Ainda considero de uma nocividade imensurável gostos milionários numa campanha eleitoreira. Assim fica determinado que somente os que têm a maior soma de recursos financeiros têm o direito de ser bom, embora promovam a cegueira a milhares de pessoas.

A segunda coisa que me inquietou foi a afirmação que os professores preocupavam-se apenas em cobrar salário, mas não pediam aos alunos para que preservassem o patrimônio público. Acredito que não exista nenhum professor fazendo apologia ao vandalismo dentro da escola ou fora dela. Quando vejo um aluno destruindo uma cadeira, riscando uma parede ou não zelando do próprio material didático sinto-me mutilado porque vejo que o povo que estamos formando não adquiriu sequer a capacidade de aproveitar o mínimo do que lhe é oferecido. Até aceito com humildade que somos impotentes mesmos. Em pouco ou quase nada modificamos a mentalidade, a conduta dos nossos discentes. Se falarem que somos impotentes diante da ignorância que habita, sem previsão de saída, as escolas devemos aceitar, mas não que somos omissos.

Os alunos que destroem os ônibus novos são os mesmos que rejeitam a música de um Zé Ramalho por causa de sua feiúra, são mesmos que chamam Gilberto de Gil de porcaria, Chico Buarque de agouro, Oswaldo Montenegro de brega, que não conhece nada de Zé Geraldo, mas que dizem com convicção que música de verdade é o forró. Os alunos que destroem a escola são os mesmos que não assistem a um jornal por ser coisa de velho, são os mesmos que estão alheios ao enriquecimento absurdo da Palocci; são os mesmos que não perdem tempo lendo um livro; são os mesmos que convidam na festa de formatura um político quem nem conhece o seu nome para receber título de paraninfo da turma, figurando o professor na lista dos homenageados. E não é por falta de debate em sala, de puxões de orelhas constantes que esses absurdos continuam acontecendo.

Fica provado que as mudanças não acontecem tão rapidamente e que prédios, ônibus, estradas são necessários para o desenvolvimento da educação, mas não são imprescindíveis. já que os ônibus pouco alteraram o quadro da nossa educação, passemos a valorizar o conhecimento e os profissionais, claro, que analisando rigorosamente o custo-benefício para não cairmos na nocividade. Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos fazer campanha para que o aluno volte a ter respeito por essa figura tão estigmatizada que é o professor. Uma boa iniciativa é lhe pagar um salário justo que lhe garanta o direito de viver com dignidade.

Portanto, a partir de agora caminhemos juntos na luta contra o nocivo, contra o prejudicial à sociedade, contra o vandalismo na escola. Primemos por uma sociedade purificada e harmônica.

Se lhe responde

No encontro para a votação do veto do aumento de 15%no salário dos professores, na Câmara municipal de Pereiro, no dia 28/05/2011, duas coisas me inquietaram, e quase pedi, ciente de que estaria ferindo o regimento da casa, um espaço para me pronunciar. A primeira foi a de que esse acréscimo seria prejudicial para este município. Isso é louvável. Preocupação em não fazer o que é nocivo para a população é sinônimo de avanço. Ora, com certeza, a partir de agora, outras coisas, como este milionário aumento, serão analisadas sob o ângulo da prejudicialidade à população. Finalmente acordaram para prejuízos evitáveis.

É muito bom ter a certeza de que a partir de agora não mais veremos, durante as campanhas eleitorais, milhares de jovens, sem outra opção de lazer e de diversão, em cima de caminhões, carregados como gado para enfeitar os currais eleitorais. É irrefutável que durante este período eles ficam expostos aos mais diversos tipos de violência. Exploração sexual, exploração no trabalho, coerção política ( a paga do favor com voto ) sem esquecer de que o número de acidentes cresce bastante nessa época, o que acarreta prejuízos indescritíveis para a população e para os cofres públicos

.De gravidade não menos acentuada, podemos apontar também o aumento de gravidez indesejada que traz prejuízos incalculáveis para a sociedade. O controle da taxa de natalidade é feito, em países que tem a educação como prioridade, até por pessoas que gozam de independência financeira e ideológica. Nesses países, todos têm consciência de que uma população jovem requer investimento maciço na saúde e na educação. Caso contrário, os reflexos negativos aparecem de imediato. Pais despreparados têm poucas condições de acompanhar os filhos na escola, o que sobrecarrega o professor uma vez que deve assumir o papel que deveria ser da família. E continuo achando que um aumento de 15% por cento no nosso salário é um ato menos nocivo do que estes que vemos acontecer a cada dois anos, que a população não é esclarecida dos seus danos. Ainda considero de uma nocividade imensurável gostos milionários numa campanha eleitoreira. Assim fica determinado que somente os que têm a maior soma de recursos financeiros têm o direito de ser bom, embora promovam a cegueira a milhares de pessoas.

A segunda coisa que me inquietou foi a afirmação que os professores preocupavam-se apenas em cobrar salário, mas não pediam aos alunos para que preservassem o patrimônio público. Acredito que não exista nenhum professor fazendo apologia ao vandalismo dentro da escola ou fora dela. Quando vejo um aluno destruindo uma cadeira, riscando uma parede ou não zelando do próprio material didático sinto-me mutilado porque vejo que o povo que estamos formando não adquiriu sequer a capacidade de aproveitar o mínimo do que lhe é oferecido. Até aceito com humildade que somos impotentes mesmos. Em pouco ou quase nada modificamos a mentalidade, a conduta dos nossos discentes. Se falarem que somos impotentes diante da ignorância que habita, sem previsão de saída, as escolas devemos aceitar, mas não que somos omissos.

Os alunos que destroem os ônibus novos são os mesmos que rejeitam a música de um Zé Ramalho por causa de sua feiúra, são mesmos que chamam Gilberto de Gil de porcaria, Chico Buarque de agouro, Oswaldo Montenegro de brega, que não conhece nada de Zé Geraldo, mas que dizem com convicção que música de verdade é o forró. Os alunos que destroem a escola são os mesmos que não assistem a um jornal por ser coisa de velho, são os mesmos que estão alheios ao enriquecimento absurdo da Palocci; são os mesmos que não perdem tempo lendo um livro; são os mesmos que convidam na festa de formatura um político quem nem conhece o seu nome para receber título de paraninfo da turma, figurando o professor na lista dos homenageados. E não é por falta de debate em sala, de puxões de orelhas constantes que esses absurdos continuam acontecendo.

Fica provado que as mudanças não acontecem tão rapidamente e que prédios, ônibus, estradas são necessários para o desenvolvimento da educação, mas não são imprescindíveis. já que os ônibus pouco alteraram o quadro da nossa educação, passemos a valorizar o conhecimento e os profissionais, claro, que analisando rigorosamente o custo-benefício para não cairmos na nocividade. Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos fazer campanha para que o aluno volte a ter respeito por essa figura tão estigmatizada que é o professor. Uma boa iniciativa é lhe pagar um salário justo que lhe garanta o direito de viver com dignidade.

Portanto, a partir de agora caminhemos juntos na luta contra o nocivo, contra o prejudicial à sociedade, contra o vandalismo na escola. Primemos por uma sociedade purificada e harmônica.

Se lhe responde

No encontro para a votação do veto do aumento de 15%no salário dos professores, na Câmara municipal de Pereiro, no dia 28/05/2011, duas coisas me inquietaram, e quase pedi, ciente de que estaria ferindo o regimento da casa, um espaço para me pronunciar. A primeira foi a de que esse acréscimo seria prejudicial para este município. Isso é louvável. Preocupação em não fazer o que é nocivo para a população é sinônimo de avanço. Ora, com certeza, a partir de agora, outras coisas, como este milionário aumento, serão analisadas sob o ângulo da prejudicialidade à população. Finalmente acordaram para prejuízos evitáveis.

É muito bom ter a certeza de que a partir de agora não mais veremos, durante as campanhas eleitorais, milhares de jovens, sem outra opção de lazer e de diversão, em cima de caminhões, carregados como gado para enfeitar os currais eleitorais. É irrefutável que durante este período eles ficam expostos aos mais diversos tipos de violência. Exploração sexual, exploração no trabalho, coerção política ( a paga do favor com voto ) sem esquecer de que o número de acidentes cresce bastante nessa época, o que acarreta prejuízos indescritíveis para a população e para os cofres públicos

.De gravidade não menos acentuada, podemos apontar também o aumento de gravidez indesejada que traz prejuízos incalculáveis para a sociedade. O controle da taxa de natalidade é feito, em países que tem a educação como prioridade, até por pessoas que gozam de independência financeira e ideológica. Nesses países, todos têm consciência de que uma população jovem requer investimento maciço na saúde e na educação. Caso contrário, os reflexos negativos aparecem de imediato. Pais despreparados têm poucas condições de acompanhar os filhos na escola, o que sobrecarrega o professor uma vez que deve assumir o papel que deveria ser da família. E continuo achando que um aumento de 15% por cento no nosso salário é um ato menos nocivo do que estes que vemos acontecer a cada dois anos, que a população não é esclarecida dos seus danos. Ainda considero de uma nocividade imensurável gostos milionários numa campanha eleitoreira. Assim fica determinado que somente os que têm a maior soma de recursos financeiros têm o direito de ser bom, embora promovam a cegueira a milhares de pessoas.

A segunda coisa que me inquietou foi a afirmação que os professores preocupavam-se apenas em cobrar salário, mas não pediam aos alunos para que preservassem o patrimônio público. Acredito que não exista nenhum professor fazendo apologia ao vandalismo dentro da escola ou fora dela. Quando vejo um aluno destruindo uma cadeira, riscando uma parede ou não zelando do próprio material didático sinto-me mutilado porque vejo que o povo que estamos formando não adquiriu sequer a capacidade de aproveitar o mínimo do que lhe é oferecido. Até aceito com humildade que somos impotentes mesmos. Em pouco ou quase nada modificamos a mentalidade, a conduta dos nossos discentes. Se falarem que somos impotentes diante da ignorância que habita, sem previsão de saída, as escolas devemos aceitar, mas não que somos omissos.

Os alunos que destroem os ônibus novos são os mesmos que rejeitam a música de um Zé Ramalho por causa de sua feiúra, são mesmos que chamam Gilberto de Gil de porcaria, Chico Buarque de agouro, Oswaldo Montenegro de brega, que não conhece nada de Zé Geraldo, mas que dizem com convicção que música de verdade é o forró. Os alunos que destroem a escola são os mesmos que não assistem a um jornal por ser coisa de velho, são os mesmos que estão alheios ao enriquecimento absurdo da Palocci; são os mesmos que não perdem tempo lendo um livro; são os mesmos que convidam na festa de formatura um político quem nem conhece o seu nome para receber título de paraninfo da turma, figurando o professor na lista dos homenageados. E não é por falta de debate em sala, de puxões de orelhas constantes que esses absurdos continuam acontecendo.

Fica provado que as mudanças não acontecem tão rapidamente e que prédios, ônibus, estradas são necessários para o desenvolvimento da educação, mas não são imprescindíveis. já que os ônibus pouco alteraram o quadro da nossa educação, passemos a valorizar o conhecimento e os profissionais, claro, que analisando rigorosamente o custo-benefício para não cairmos na nocividade. Uma coisa de cada vez. Primeiro vamos fazer campanha para que o aluno volte a ter respeito por essa figura tão estigmatizada que é o professor. Uma boa iniciativa é lhe pagar um salário justo que lhe garanta o direito de viver com dignidade.

Portanto, a partir de agora caminhemos juntos na luta contra o nocivo, contra o prejudicial à sociedade, contra o vandalismo na escola. Primemos por uma sociedade purificada e harmônica.

Boa noite a todos os presentes nesta aula da saudade.

Senhora diretora, colegas professores, colegas da secretaria, auxiliares, prezados alunos e demais pessoas que direta ou indiretamente fazem parte da comunidade escolar.

Foi com surpresa que estando eu no meio de uma aula no oitavo ano desta escola, recebi, dias atrás, de forma espalhafatosa, a visita inesperada de um grupo de alunos do nono ano que ora se despede das dependências da Maria das Graças Nogueira. Olhei com ar de reprovação, quando Clara, aluna que eu mais me debati durante esses três anos, cheia de sorriso, me lança o convite para ser patrono da sua turma.

Sem muito questionar, aceitei. Sou o patrono às avessas. Pouco ou quase nada de material tenho para oferecer ao grupo que democraticamente me escolheu. Habitualmente os escolhidos para tão honroso posto são pessoas que sequer sabem o nome de mais de uma pessoa da turma, mas que recompensam o lado afetivo com uma doação financeira. Orgulhoso, vi na atitude dos meus discípulos um reflexo positivo dos muitos discursos que proferi em sala. Vocês estão provando que são livres para agir com justiça e sensatez. Talvez os auxiliares da nossa escola merecessem mais do que eu essa homenagem, mas tudo bem.

Escolhi ser duro com vocês para com isso lhes preparar para superar os muitos obstáculos que ainda hão de enfrentar pela frente. O dicionário traz como primeiro significado da palavra patrono ( padrinho e protetor ). Talvez proteger e apadrinhar foram as coisas que tentei fazer ao longo desses três anos. É claro que tentei dar uma proteção com responsabilidade. A proteção que em casa dou ao meu filho. Faço por ele o que ele não pode; faço com ele o que eu não quero que outro faça. Aprendi a querer bem sem omissão e a proteger sem anular. Eu teria tido menos atrito com vocês se ao invés de ensinar o que vocês precisam tivesse falado o que vocês gostariam de ouvir. Mas prefiro adotar a coerência acreditando que as verdades que eu disse mais cedo ou mais tarde ecoarão em vossos ouvidos. Antes de ensinar qualquer conteúdo didático-pedagógico tentei fazer com quer vocês entendessem a verdadeira razão de se freqüentar uma unidade escolar e a importância da aquisição de uma boa educação. Sou tomado por forte sentimento de justiça e liberdade o que me faz viver em constantes choques com as pessoas que vivem ao meu redor. Porém muitos se chocariam como eu se tivessem coragem ou consciência de revelar a verdade. Assumo que sou intolerante com algumas coisas neste mundo, inclusive com aqueles que insistem em cultivar a ignorância sabendo dos seus efeitos catastróficos. Sei que não é fácil sair do plano concreto para o mundo das abstrações. Sem dúvida o conhecimento é muito rejeitado porque poucos têm a sensibilidade de focalizar a sua beleza. Assim como a ignorância também não é vista com seus horrores porque muitos não conseguem enxergar o seu rosto..É da ignorância que provém as maiores injustiças do mundo. Confesso que fui exigente ao extremo com vocês. Corrigi postura, modos de falar, focalizei muito a questão dos valores, fiz sermões intermináveis para puder preparar um ambiente de trabalho. Cheguei a ser odiado por causa disso e talvez muitos chegaram a me ver como mal. Lembro-me de que meu pai uma vez me puxou um dente que estava mole e praguejei-o por isso. Um dia quando adquiri consciência agradeci a ele por aquela atitude. A dor passou em segundos, mas o defeito poderia ter me acompanhado por toda minha vida. Arranquei muitos dentes moles de vocês, fui contra os chicletes, fui contras as atitudes não condizentes com uma boa aprendizagem. Espero que as dores tenham passado. Mas o sacrifício não foi em vão. Acredito que consegui fazer com que vocês me escutassem sem que fosse preciso impor medo. Conhecimento e acima de tudo polidez no trato com as pessoas são as coisas mais exigidas neste mundão que impera a competitividade. Tentei trabalhar isso. Fico feliz com o que dentro das minhas possibilidades, consegui lhes oferecer. Lembrem-se de que o maior sucesso que o homem pode alcançar é a liberdade e que esta não se atinge sem leitura. Demos os primeiros passos, mas é preciso que haja continuidade para que um dia possamos disputar corridas com os principais corredores. Neste momento, peço-lhes desculpas pelas faltas que cometi durante esse tempo, pelas palavras duras que proferi para torná-los brandos, pelos conselhos que nunca cansei de dar. Saio desta missão como um pai que vê um filho saindo de seus cuidados depois de atingir a maioridade. Um lado me culpa de não ter feito o máximo e das lágrimas que os fiz derramar ; o outro me consola de ter feito um pouco. Mais que este pouco que consegui oferecer possa servir de base para o muito que vocês podem e devem alcançar.

Joacir, 14/12/2010

Discurso para a assembleia do PSOL no dia 24/09/2011

Senhores presentes a esta solenidade, aqueles que me veem hoje usando a palavra para representar um partido político podem externar certa surpresa. Sou obrigado a concordar que têm toda razão. Mantive-me até este ano de 2011 afastado de qualquer assunto que envolvesse a política partidária. Recusei propostas tentadoras para ingressar em alguns partidos, porque via na política uma lameira infecta. Minha atuação, se acontecia, era através do meu lado crítico e sarcástico. Nunca poupei políticos demagogos nem parasitas inescrupulosos. Sempre condenei os que encaram a política como um negócio lucrativo. Sempre fui contra aqueles que tratam o povo como gado que se arrebanha a cada dois anos. Fui e serei eternamente contrário aos que promovem festas e se divertem por cima da miséria do povão. Ataquei com veemência a política de favor. Repudiei os homens que pediam às suas vítimas que os adorassem. Nunca fui de pedir favor, mas de clamar por justiça. Em resumo, eu não trazia o perfil que me enquadrasse em nenhum partido político. Acho que não nasci descrente dos homens. Meu pai até me ensinou adorar alguns, mas antes que se confirmasse a minha idolatria li Graciliano Ramos. Ele impediu que o bacilo da política podre me contaminasse. Com o autor de vidas secas, consegui enxergar um mundo diferente daquele que me apresentaram; aprendi o significado da palavra exploração; aprendi que nenhum bem material pode comprar a liberdade; aprendi a formular os meus conceitos de homem; aprendi que por trás de quase toda ação de generosidade existe um interesse maior do praticante; foi de Graciliano Ramos que recebi as primeiras lições de políticas. Vejo Paulo Honório estampado nos rostos dos homens bons que são cultuados porque ofertaram migalhas para uma população miserável. A todo o momento me deparo com o Padilha lá de São Bernardo pedindo desculpas ao patrão porque este lhe flagrou dizendo uma verdade. Vejo um Marciano tratado como molambo e Rosa, sua mulher, com uma meia dúzia de filhos pequenos, pedindo um pouco de farinha ao patrão explorador. São tantas coisas que passei a enxergar que por mais que eu quisesse voltar ao que era antes de conhecer o escritor alagoano, eu não podia mais. Também ouvi muitos chavões a respeito de política que me causaram bastante desestímulo. “Quer perder a vergonha, entre na política”. “todo político é igual”. “honestidade e sinceridade são incompatíveis com política”. Foram anos que levei para desmistificar isso. Percebi que foram barreiras que os poderosos criaram para se perpetuar no poder. Não creio que no meio de gente existam pessoas pessoa que almejem desfrutar da fatia da miséria; pessoa que neguem os direitos básicos a qualquer cidadão da nossa terra que tenham ou não votado no seu partido. É por acreditar nisso que formamos esse grupo para ingressar no partido sem estrelas, pelos menos a nível local. Vimos que o PSOL( partido socialismo e liberdade) traz uma filosofia que não envergonha, em termos ideológicos, a nenhum cidadão que veja na decência e na justiça algo de valor. Foram vários encontros que tivemos até chegarmos à corajosa decisão de formarmos e apresentarmos este partido minúsculo para a sociedade. É um ato de coragem enveredar na política utilizando um recurso totalmente adverso daqueles utilizados pelos políticos convencionais. A verdade, a pregação da liberdade, a justiça social irão ser assuntos constantes da nossa pauta. Não importa o tempo que levaremos para alcançarmos os nossos objetivos. Independentemente dos resultados das próximas eleições, já somos vencedores. Somos livres numa sociedade escrava do consumo, escrava do poder, escrava do status social. Como já disse Francóis Fénelon, “o mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão”. Vamos distribuir sementes de liberdade pelos longínquos cantos desse município. Temos a certeza de que muitas delas serão esmagadas, mas outras frutificarão. Portanto, dou ao PSOL o meu voto de inteira confiabilidade para juntos lutarmos por uma política de renovação. Aos integrantes desse partido a nível local, peço fidelidade aos nossos ideais. Cada um de nós assumiu o compromisso de lutar por uma sociedade igualitária, justa e fraterna. Vamos firmes com este partido. Agora podemos dizer que o PSOL nasceu na cidade de PEREIRO. Cabe a nós regá-lo e fazê-lo prosperar.

Joacir Rocha, 24/09/2011