Discurso produzido na Escola Virgílio Correia Lima na festa de colação de grau do 3º ano F, no ano de 2007.
A todos os presentes nesta aula da saudade, o meu boa noite. Aos concludentes, os meus parabéns e a turma do 3º F, em particular, os meus agradecimentos pela homenagem que me fez, escolhendo-me como paraninfo, fato que foge um pouco à tradição da escola do meu tempo (que não faz tanto tempo) quando, quase com exclusividade, eram escolhidas as pessoas que possuíam um maior poder aquisitivo.
Neste momento gostaria de expressar a minha felicidade de participar da última etapa da formação de vocês aqui na Virgílio Correia Lima, na certeza de que contribui com o pouco de conhecimento que adquiri ao longo da minha vida estudantil e fora da escola.
Dos muitos testes por que já passei na vida,foi, trabalhar com essa turma de 3º ano F, um dos grandes testes, se considerarmos as circunstâncias que me levaram a assumi-la. Ninguém dos que estão aqui presentes podem ter esquecido que no 1º bimestre deste ano letivo(2007) essa escola chorava a perda do nosso inesquecível colega Neuzemar. Esse mesmo colega que nos deixou a lição de que a vida é feita de desafio e para essa tarefa são contempladas as pessoas mais corajosas, as mais guerreiras. E foi com esse pensamento que entrei nessa escola para assumir a desprestigiada tarefa de professor.
Para quem já me conhece, como o próprio Neuzemar me conhecia, sabe que eu acredito muito na leitura como meio de libertação. E foi isso que eu tentei fazer ao chegar aqui. Encontrei muita resistência, é claro. Mas continuo acreditando que defendo o certo.
Não podemos fechar os olhos para a realidade. É fato que temos um percentual considerável dos que agora se formam ainda sentindo dificuldade de compreender um texto simples. Isso é preocupante, pois o homem deve buscar a libertação através da palavra. Espero que dentro de cada um de vocês esteja vivo o sonho da liberdade, não só a busca de um emprego, da aquisição de um bem material. Já seria um grande avanço neste começo de século.
Não deixa de ser um erro da escola quando deixa transparecer para o aluno que nessa instituição deve se buscar menos o conhecimento do que um passaporte para um emprego. Quantos de nós não ouvimos a frase: Isso aqui é bom estudar por que vai cair num concurso. Esse pesadelo começa desde os anos iniciais do fundamental e não termina no Ensino Médio. Um reflexo vivo da desigualdade social que toma conta do nosso país. Quantos não abandonam os estudos porque são obrigados a trabalhar? É o emprego que as pessoas das camadas menos favorecidas buscam. Conquistado isso, estão realizadas. É um problema tão grave quanto tantos outros que afetam a nossa sociedade. Infelizmente não é levado a sério.
Em “a sociedade sem escola Ivan Illich, contrapondo-se ao senso comum, diz que “não é a escola que vai garantir o fim da desigualdade social, mas é o fim da desigualdade social que vai garantir um ensino de qualidade”. Sabemos que as pessoas que vêm dos recantos desse município de Pereiro, que são obrigadas a trabalhar, em um dado período, 8 horas por dia, têm pouca condição de vencer na vida através do estudo, mesmo considerando todas as “facilidades”que muitos afirmam ter hoje.
É com essa visão que eu busco, insistentemente, fazer com que o meu aluno desperte para conhecer a realidade na qual nós, nordestinos interioranos, estamos inseridos. Para isso eu julgo indispensável para se formar cidadãos com capacidade de agir criticamente sobre os fatos, a leitura de um Josué de Castro, de Rodolfo Teófilo, de Domingos Olympio, Gilberto Freire e do nosso inigualável Graciliano Ramos. Certamente a leitura desses clássicos são óculos com alto poder de visão que irá nos dar respaldo para criticarmos a reforma de 350 mil reais no apartamento de um deputado, enquanto outras pessoas têm um barraco carregado pela enchente. Não vejo outro sentido de se buscar educação se não for para nos tornar pessoas libertas, pessoas sensíveis, questionadoras.
Portanto, a vocês que estão se formando, o meu último aviso: Não é o diploma que estão recebendo agora que lhes vai tornar preparados e grandes. A nossa efetiva grandeza alcançamos lendo e questionando o mundo que nos cerca.
Finalizo com esses versos de Alberto Caeiro:
"Eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura".
Professor Joacir Rocha, 22 de dezembro de 2007.
terça-feira, 22 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
O Tesouro
Atrás do Cristo, cercada de ondas
A Lua aparece sem disfarce
Mostrando inteira a sua face
Em tom prateado e bem redonda.
Diversos olhares fazem uma ronda
Para contemplar o tesouro de prata
Viajante protegido dos piratas
Sem segurança a Lua anda
Cortando sem ferir o céu.
Às vezes se protege com um fino véu
Formando uma sensualíssima tela.
Amada sem amar más provém dela
A frase de amor mais completa
Lua, um esboço de poesia concreta!
Francisco Joacir Rocha.
Atrás do Cristo, cercada de ondas
A Lua aparece sem disfarce
Mostrando inteira a sua face
Em tom prateado e bem redonda.
Diversos olhares fazem uma ronda
Para contemplar o tesouro de prata
Viajante protegido dos piratas
Sem segurança a Lua anda
Cortando sem ferir o céu.
Às vezes se protege com um fino véu
Formando uma sensualíssima tela.
Amada sem amar más provém dela
A frase de amor mais completa
Lua, um esboço de poesia concreta!
Francisco Joacir Rocha.
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