Primeiro encontro do PSOL DE PEREIRO
Não era o grupo de inconfidentes mineiros, mas tinha certa semelhança. Na casa de Zé de Izaltino, às margens do açude público municipal Adauto Bezerra, numa casa quase centenária, rodeada de cercas, cheiro de bosta de gado, fogão a lenha, terreiro tomado por sombras de gigantescas algarobeiras, os penhascos lavados com água das primeiras chuvas nos olhando de bem próximo com sinal de aprovação. Foi nesse cenário bucólico que se reuniu um pequeno número de homens no intuito de implantar a célula do PSOL na cidade de Pereiro.
A simplicidade do ambiente escolhido pelo grupo fez-me lembrar do movimento árcade brasileiro, ocorrido essencialmente em Minas Gerais no final do século XVlll, liderado quase com exclusividade por poetas. Naquela época, intelectuais planejaram uma conspiração contra o governo português no momento da cobrança do ouro (A derrama). O nosso grupo se difere do grupo referido porque é mais eclético quanto a composição ( é composto por agricultores, professores, advogado e estudantes) e o pensamento converge para a defesa de uma causa coletiva. O que queremos não é conspirar, mas plantar a semente de rejeição aos atuais modelos políticos implantados neste vasto e desigual Brasil e, em particular, na nossa cidade. Não se trata de um grupo de revoltosos, mas de esperançosos de que ainda é possível se fazer um governo pautado na democracia, na ética, na solidariedade, nos bons princípios, na inclusão.
Mais do que chegar ao poder pretendemos combater o abuso de poder. Queremos que o eu ceda lugar ao nós. Não queremos falar pelo povo porque a nossa proposta é fazer com que o povo tenha voz. Essa voz deve eclodir a partir de uma política de distribuição mais justa; Quando a verdade for o retrato pregado por cada político na porta de seu eleitor; essa voz deve soar estridente quando a conscientização for a meta principal de cada governo. O povo deve compreender, antes de receber qualquer favor, que o político tem a obrigação moral de trabalhar em defesa da classe a qual representa. É o político que já entra devendo ao povo, enquanto que percebemos o contrário.
Estamos convictos da dificuldade de falar de política da forma que efetivamente deveria ser feita. É difícil fazer com que a gente acorrentada compreenda que o político é um funcionário por sinal muito bem pago para nos representar bem. Para se alcançar essa compreensão, sabemos que é um processo extremamente lento uma vez que já são quase 500 anos de maus costumes, de dominação, de opressão etc de forma que o que defendemos chega a ser absurdo. Porém, se fosse para ser igual, nos juntaríamos ao grupo que já comanda e arrebanha o povo que aceita a canga sem mais sentir as feridas que ela causa. Era bem mais fácil porque toda uma infraestrutura dominação já estava montada. Era só dar continuidade ao fortalecimento desse domínio. Mas repudiamos isso.
Já é uma vitória para nós se este grupo continuar fortalecido. Que os interesses imediatos não entravem a nossa marcha rumo à democracia. Queremos alcançar o sucesso sem heróis e sem mártires. Que daqui não saia Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) nem Joaquim Silvério dos Reis. Aqui não existe um devedor. O grupo inteiro deve o compromisso de continuar alimentando a esperança de uma política de renovação. O ouro que temos não é para ser sonegado. Queremos mais é que ele brilhe mesmo e se multiplique nas mentes de pessoas que ainda conseguem ser sensíveis diante dessa miséria trazida por esse capitalismo desenfreado. As primeiras sementes de ouro já foram plantadas no terreiro do senhor Zé de Izaltino e ainda andamos à procura de mais semeadores. Que os invejosos não joguem sal naquela terra estrumada de ideias voltadas para o bem- estar coletivo.
Joacir, 22/01/2011
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