O poema do nada
Queria fazer um poema
Para lhe dizer nada de novo.
Antes de tudo você sabe
Que o nada não acrescenta nada.
Mas é que o meu coração nada no nada
O que me leva a dizer
Que o nada às vezes é tudo.
Se não fosse o nada que o meu
Coração insiste em dizer
Eu passaria a ver nada em tudo.
Não mudo o meu modo de dizer nada
Na falta do tudo o nada é tudo.
Joacir Rocha,24/08/2010
domingo, 29 de agosto de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Quem vai rir de quem?
Quem vai rir de quem?
Brasil e Argentina começaram este mundial deixando transparecer que o título do torneio havia sido feito com exclusividade para eles. Paraguai, Chile e Uruguai apenas compunham o grupo das 32 seleções. A imprensa brasileira se encarregava de estimular a guerra fora de campo de humorista Maradona contra jogadores, comissão técnica e até mesmo com Pelé. “Messi joga por meio time do Brasil”, disse o herói do título, da maior rival do Brasil, de 1986. “Pelé deve servir de peça de museu”, expressou-se o homem que prometeu pousar nu, caso a sua equipe fosse campeã. Do outro lado as provocações não deixavam de vir. “A Argentina virou nossa freguesa”. “A zaga do time de Maradona não suportaria um Kaká inspirado”.
Diante de tantas provocações e prepotência, é cabível a pergunta: onde fica o espírito desportivo? Se já se tivesse a certeza de quem sairia vitorioso se dispensaria a necessidade de disputas. O esporte deveria ser visto por todos como um meio de amenizar antigos conflitos, e não para estimulá-los. Se entendêssemos que o futebol é uma arte, aplaudiríamos o artista que melhor soubesse usar as suas ferramentas para produzir algo que encantasse os admiradores. Um chileno que gosta de Neruda porque é o melhor poeta do país não deve achar o nosso Drummond descartável. Com estilos e temáticas diferentes, os dois artistas não devem ser comparados. Todavia, aquele que aprecia ou tem a intenção de escrever versos pode beber na fonte dos dois e fortalecer-se com isso.
O mesmo pode ser dito sobre Pelé e Maradona. Que os dois foram geniais com a bola no pé, é indiscutível. Qualquer aspirante a jogador de futebol não sai perdendo se a inspiração vier deles dois. Não sinto vergonha de dizer que admirava bastante o jeito do camisa 10 da argentina jogar. E que mal faz um argentino dizer que se encantava com o Rei do Futebol? A imprensa dos dois países é que criam essa barreira idiota. Necessariamente um não deve se anular para o outro aparecer. Os dois teriam vaga na minha seleção de botão, sem briga e sem troca de farpas.
É provável que essa aproximação entre Brasil e Argentina já esteja bem madura. Apenas um dia separou as saídas das duas seleções deste mundial. Com um pouquinho de esforço teriam pegado o mesmo vôo. Os argentinos devem ter rido com a virada impiedosa dos holandeses sobre os brasileiros atônitos. No dia seguinte (03/07/2010) foi a vez do time de Maradona ser detonado pela esmagadora Alemanha. Ainda por cima Messi e Kaká voltam da África do sul sem terem feito um gol. Foi combinado!
A guerra entre os dois países dever ter uma pausa prolongada uma vez que os dois times favoritos caíram do cavalo possante. Os fracassados Brasil e Argentina devem bater a poeira do orgulho e torcerem pelo modesto Uruguai no seu rocinante contra os moinhos de pedra da Holanda e, se resistir, da Alemanha. No mínimo, o time celeste volta do torneio com a melhor classificação americana para matar de inveja os orgulhosos brasileiros e argentinos. Só os uruguaios podem perguntar: Quem vai de quem?
Joacir Rocha(04/07/2010)
Brasil e Argentina começaram este mundial deixando transparecer que o título do torneio havia sido feito com exclusividade para eles. Paraguai, Chile e Uruguai apenas compunham o grupo das 32 seleções. A imprensa brasileira se encarregava de estimular a guerra fora de campo de humorista Maradona contra jogadores, comissão técnica e até mesmo com Pelé. “Messi joga por meio time do Brasil”, disse o herói do título, da maior rival do Brasil, de 1986. “Pelé deve servir de peça de museu”, expressou-se o homem que prometeu pousar nu, caso a sua equipe fosse campeã. Do outro lado as provocações não deixavam de vir. “A Argentina virou nossa freguesa”. “A zaga do time de Maradona não suportaria um Kaká inspirado”.
Diante de tantas provocações e prepotência, é cabível a pergunta: onde fica o espírito desportivo? Se já se tivesse a certeza de quem sairia vitorioso se dispensaria a necessidade de disputas. O esporte deveria ser visto por todos como um meio de amenizar antigos conflitos, e não para estimulá-los. Se entendêssemos que o futebol é uma arte, aplaudiríamos o artista que melhor soubesse usar as suas ferramentas para produzir algo que encantasse os admiradores. Um chileno que gosta de Neruda porque é o melhor poeta do país não deve achar o nosso Drummond descartável. Com estilos e temáticas diferentes, os dois artistas não devem ser comparados. Todavia, aquele que aprecia ou tem a intenção de escrever versos pode beber na fonte dos dois e fortalecer-se com isso.
O mesmo pode ser dito sobre Pelé e Maradona. Que os dois foram geniais com a bola no pé, é indiscutível. Qualquer aspirante a jogador de futebol não sai perdendo se a inspiração vier deles dois. Não sinto vergonha de dizer que admirava bastante o jeito do camisa 10 da argentina jogar. E que mal faz um argentino dizer que se encantava com o Rei do Futebol? A imprensa dos dois países é que criam essa barreira idiota. Necessariamente um não deve se anular para o outro aparecer. Os dois teriam vaga na minha seleção de botão, sem briga e sem troca de farpas.
É provável que essa aproximação entre Brasil e Argentina já esteja bem madura. Apenas um dia separou as saídas das duas seleções deste mundial. Com um pouquinho de esforço teriam pegado o mesmo vôo. Os argentinos devem ter rido com a virada impiedosa dos holandeses sobre os brasileiros atônitos. No dia seguinte (03/07/2010) foi a vez do time de Maradona ser detonado pela esmagadora Alemanha. Ainda por cima Messi e Kaká voltam da África do sul sem terem feito um gol. Foi combinado!
A guerra entre os dois países dever ter uma pausa prolongada uma vez que os dois times favoritos caíram do cavalo possante. Os fracassados Brasil e Argentina devem bater a poeira do orgulho e torcerem pelo modesto Uruguai no seu rocinante contra os moinhos de pedra da Holanda e, se resistir, da Alemanha. No mínimo, o time celeste volta do torneio com a melhor classificação americana para matar de inveja os orgulhosos brasileiros e argentinos. Só os uruguaios podem perguntar: Quem vai de quem?
Joacir Rocha(04/07/2010)
o beijo
O beijo
O valor de um beijo
ainda não tinha descoberto.
Só depois de um momento de oscilação
entre o errado e o certo
é que acertadamente acertei sua boca.
Alguns suspiros, palavras poucas,
um sentimento de alma renovada,
barreiras quebradas,
dois rios se juntando
para formarem um mar de desejo
contra um mundo de empecilho.
Um desfazer-se de brilho
para um fazer brilhar,
um desviar-se da trilha
para encontrar o caminho,
dois seres distantes que se tornam vizinhos
e compartilham emoções.
Foi erro meu? Então perdão!
Não queria lhe deixar constrangida.
A culpa foi dessa boca atrevida
que lhe roubou um beijo
para trazer um pouco de vida
a esse frágil e humilde coração.
Joacir Rocha, outubro de 2007
( A poesia não nasce com nós: são os nós da vida que a faz brotar de dentro de nós )
O valor de um beijo
ainda não tinha descoberto.
Só depois de um momento de oscilação
entre o errado e o certo
é que acertadamente acertei sua boca.
Alguns suspiros, palavras poucas,
um sentimento de alma renovada,
barreiras quebradas,
dois rios se juntando
para formarem um mar de desejo
contra um mundo de empecilho.
Um desfazer-se de brilho
para um fazer brilhar,
um desviar-se da trilha
para encontrar o caminho,
dois seres distantes que se tornam vizinhos
e compartilham emoções.
Foi erro meu? Então perdão!
Não queria lhe deixar constrangida.
A culpa foi dessa boca atrevida
que lhe roubou um beijo
para trazer um pouco de vida
a esse frágil e humilde coração.
Joacir Rocha, outubro de 2007
( A poesia não nasce com nós: são os nós da vida que a faz brotar de dentro de nós )
segunda-feira, 5 de julho de 2010
soneto a uma noite de amor
Soneto a uma noite de amor
Com você abraçado à luz da lua
Nossos corpos no chão fazendo sombra
Mexe o vento a árvore e nos assombra
E fica gélida a sua pele nua.
O luar com nós dois compactua
Pela força do prazer sou transportado
O seu cheiro pelo ar é espalhado
Mas nosso amor incubado continua.
Realçar sua beleza sinto a lua
“eu sou sua” eu ouço me dizer
Fecho os olhos e lhe envolvo num abraço
Com seu rosto de leve no meu braço
Vou sentido o seu corpo adormecer
Ao frescor desta noite à luz da lua.
( Joacir Rocha, julho de 2005 )
Com você abraçado à luz da lua
Nossos corpos no chão fazendo sombra
Mexe o vento a árvore e nos assombra
E fica gélida a sua pele nua.
O luar com nós dois compactua
Pela força do prazer sou transportado
O seu cheiro pelo ar é espalhado
Mas nosso amor incubado continua.
Realçar sua beleza sinto a lua
“eu sou sua” eu ouço me dizer
Fecho os olhos e lhe envolvo num abraço
Com seu rosto de leve no meu braço
Vou sentido o seu corpo adormecer
Ao frescor desta noite à luz da lua.
( Joacir Rocha, julho de 2005 )
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Suco de laranja
Suco de laranja
O Brasil se despede hoje da Copa do Mundo e deve sobreviver durante quatros anos das lembranças dos cinco títulos mundiais que somou ao longo da história. Como a perda sempre traz dores, principalmente quando se tem certeza da vitória, acredito que neste momento quase todos os brasileiros se encontram tristes porque a seleção de Dunga volta da África do Sul decepcionada por não ter conseguido passar pelo primeiro teste de fogo nesta copa, que era superar o organizado time holandês. Digo quase todo porque há aqueles, que com eu, não estão surpresos com tal acontecimento.
Em primeiro lugar devemos admitir que o Brasil se preparou mal para esta competição. Até mesmo os leigos em matéria de futebol, como eu, devem admitir que a nossa seleção não estava organizada para superar esta pedreira e outras maiores que ainda estavam por vir até chegar ao hexa campeonato. Que a justiça seja feita pelo menos uma vez na vida. O Brasil derrotou, em duas copas consecutivas, o time que hoje sai vitorioso. Em 1994, um suado 3x2, sendo que terceiro gol da seleção de Parreira saiu dos pés do lateral Branco, já quase sem forças no combate contra a Laranja, no final do segundo tempo. Uma prorrogação certamente seria um pesadelo para a seleção comandada por Romário. Quatro anos depois, na copa da França, mais uma queda do time hoje comandado por Sneijder, desta vez em cobranças de pênalti. Com a simplicidade com que foram comemoradas estas vitórias deve ser encarada esta derrota por 2x1 para este time eficiente da Holanda.
Da derrota podemos tirar grandes lições. Uma delas é que o Brasil não é mais absoluto no mundo futebol, ao que devemos da graças a Deus. É preciso que o Brasil busque mostrar a “sua cara” completa no exterior. O mundo precisa saber que o Brasil não se compõe apenas dos vinte e três jogadores que integram o elenco da seleção. É possível que muitos brasileiros não tenham contido as lágrimas porque não viram o Kaká brilhar, ou porque não se deliciaram com as pedaladas do Robinho no momento em que o time mais precisava, ou ainda porque o maior goleiro do mundo, Júlio César, tanto enfatizado por Galvão, tenha tomado um gol tão amador. Acho que até mesmo aqueles que perderam a televisão de quatorze polegadas, o álbum de fotografia dos craques, o sofá, a casinha construída com tanto sacrifício, nas enchentes de Alagoas e Pernambuco tiveram as lágrimas ampliadas com a desclassificação da seleção.
Uma parte ínfima do Brasil se despede da África do Sul, mas um Brasil imenso permanece aqui. Um Brasil que perde em educação, saúde qualidade de vida, segurança, enfim, sem demonstrar qualquer vergonha, para países que nem foram classificados para o torneio mais importante do mundo. Quem ver isso com indignação é sem dúvida o verdadeiro torcedor. Como brasileiro, continuo, embora perdendo, torcendo para que o Brasil ganhe e faço o convite para que todos empunhem a sua bandeira. Cuidar dos desabrigados das chuvas no Nordeste já é meio gol. Comemoremos! Não mascarar os problemas que temos com o manto do futebol é um golaço. Vibremos! E para continuarmos atacando, devemos, uma vez por outra, tomar um suco de laranja como esse de hoje. Assim o Brasil inteiro ganha de goleada e um sorriso grande se abre no rosto de todo o mundo.
Joacir Rocha,02/06/2010
O Brasil se despede hoje da Copa do Mundo e deve sobreviver durante quatros anos das lembranças dos cinco títulos mundiais que somou ao longo da história. Como a perda sempre traz dores, principalmente quando se tem certeza da vitória, acredito que neste momento quase todos os brasileiros se encontram tristes porque a seleção de Dunga volta da África do Sul decepcionada por não ter conseguido passar pelo primeiro teste de fogo nesta copa, que era superar o organizado time holandês. Digo quase todo porque há aqueles, que com eu, não estão surpresos com tal acontecimento.
Em primeiro lugar devemos admitir que o Brasil se preparou mal para esta competição. Até mesmo os leigos em matéria de futebol, como eu, devem admitir que a nossa seleção não estava organizada para superar esta pedreira e outras maiores que ainda estavam por vir até chegar ao hexa campeonato. Que a justiça seja feita pelo menos uma vez na vida. O Brasil derrotou, em duas copas consecutivas, o time que hoje sai vitorioso. Em 1994, um suado 3x2, sendo que terceiro gol da seleção de Parreira saiu dos pés do lateral Branco, já quase sem forças no combate contra a Laranja, no final do segundo tempo. Uma prorrogação certamente seria um pesadelo para a seleção comandada por Romário. Quatro anos depois, na copa da França, mais uma queda do time hoje comandado por Sneijder, desta vez em cobranças de pênalti. Com a simplicidade com que foram comemoradas estas vitórias deve ser encarada esta derrota por 2x1 para este time eficiente da Holanda.
Da derrota podemos tirar grandes lições. Uma delas é que o Brasil não é mais absoluto no mundo futebol, ao que devemos da graças a Deus. É preciso que o Brasil busque mostrar a “sua cara” completa no exterior. O mundo precisa saber que o Brasil não se compõe apenas dos vinte e três jogadores que integram o elenco da seleção. É possível que muitos brasileiros não tenham contido as lágrimas porque não viram o Kaká brilhar, ou porque não se deliciaram com as pedaladas do Robinho no momento em que o time mais precisava, ou ainda porque o maior goleiro do mundo, Júlio César, tanto enfatizado por Galvão, tenha tomado um gol tão amador. Acho que até mesmo aqueles que perderam a televisão de quatorze polegadas, o álbum de fotografia dos craques, o sofá, a casinha construída com tanto sacrifício, nas enchentes de Alagoas e Pernambuco tiveram as lágrimas ampliadas com a desclassificação da seleção.
Uma parte ínfima do Brasil se despede da África do Sul, mas um Brasil imenso permanece aqui. Um Brasil que perde em educação, saúde qualidade de vida, segurança, enfim, sem demonstrar qualquer vergonha, para países que nem foram classificados para o torneio mais importante do mundo. Quem ver isso com indignação é sem dúvida o verdadeiro torcedor. Como brasileiro, continuo, embora perdendo, torcendo para que o Brasil ganhe e faço o convite para que todos empunhem a sua bandeira. Cuidar dos desabrigados das chuvas no Nordeste já é meio gol. Comemoremos! Não mascarar os problemas que temos com o manto do futebol é um golaço. Vibremos! E para continuarmos atacando, devemos, uma vez por outra, tomar um suco de laranja como esse de hoje. Assim o Brasil inteiro ganha de goleada e um sorriso grande se abre no rosto de todo o mundo.
Joacir Rocha,02/06/2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Discurso produzido na Escola Virgílio Correia Lima
Discurso produzido na Escola Virgílio Correia Lima na festa de colação de grau do 3º ano F, no ano de 2007.
A todos os presentes nesta aula da saudade, o meu boa noite. Aos concludentes, os meus parabéns e a turma do 3º F, em particular, os meus agradecimentos pela homenagem que me fez, escolhendo-me como paraninfo, fato que foge um pouco à tradição da escola do meu tempo (que não faz tanto tempo) quando, quase com exclusividade, eram escolhidas as pessoas que possuíam um maior poder aquisitivo.
Neste momento gostaria de expressar a minha felicidade de participar da última etapa da formação de vocês aqui na Virgílio Correia Lima, na certeza de que contribui com o pouco de conhecimento que adquiri ao longo da minha vida estudantil e fora da escola.
Dos muitos testes por que já passei na vida,foi, trabalhar com essa turma de 3º ano F, um dos grandes testes, se considerarmos as circunstâncias que me levaram a assumi-la. Ninguém dos que estão aqui presentes podem ter esquecido que no 1º bimestre deste ano letivo(2007) essa escola chorava a perda do nosso inesquecível colega Neuzemar. Esse mesmo colega que nos deixou a lição de que a vida é feita de desafio e para essa tarefa são contempladas as pessoas mais corajosas, as mais guerreiras. E foi com esse pensamento que entrei nessa escola para assumir a desprestigiada tarefa de professor.
Para quem já me conhece, como o próprio Neuzemar me conhecia, sabe que eu acredito muito na leitura como meio de libertação. E foi isso que eu tentei fazer ao chegar aqui. Encontrei muita resistência, é claro. Mas continuo acreditando que defendo o certo.
Não podemos fechar os olhos para a realidade. É fato que temos um percentual considerável dos que agora se formam ainda sentindo dificuldade de compreender um texto simples. Isso é preocupante, pois o homem deve buscar a libertação através da palavra. Espero que dentro de cada um de vocês esteja vivo o sonho da liberdade, não só a busca de um emprego, da aquisição de um bem material. Já seria um grande avanço neste começo de século.
Não deixa de ser um erro da escola quando deixa transparecer para o aluno que nessa instituição deve se buscar menos o conhecimento do que um passaporte para um emprego. Quantos de nós não ouvimos a frase: Isso aqui é bom estudar por que vai cair num concurso. Esse pesadelo começa desde os anos iniciais do fundamental e não termina no Ensino Médio. Um reflexo vivo da desigualdade social que toma conta do nosso país. Quantos não abandonam os estudos porque são obrigados a trabalhar? É o emprego que as pessoas das camadas menos favorecidas buscam. Conquistado isso, estão realizadas. É um problema tão grave quanto tantos outros que afetam a nossa sociedade. Infelizmente não é levado a sério.
Em “a sociedade sem escola Ivan Illich, contrapondo-se ao senso comum, diz que “não é a escola que vai garantir o fim da desigualdade social, mas é o fim da desigualdade social que vai garantir um ensino de qualidade”. Sabemos que as pessoas que vêm dos recantos desse município de Pereiro, que são obrigadas a trabalhar, em um dado período, 8 horas por dia, têm pouca condição de vencer na vida através do estudo, mesmo considerando todas as “facilidades”que muitos afirmam ter hoje.
É com essa visão que eu busco, insistentemente, fazer com que o meu aluno desperte para conhecer a realidade na qual nós, nordestinos interioranos, estamos inseridos. Para isso eu julgo indispensável para se formar cidadãos com capacidade de agir criticamente sobre os fatos, a leitura de um Josué de Castro, de Rodolfo Teófilo, de Domingos Olympio, Gilberto Freire e do nosso inigualável Graciliano Ramos. Certamente a leitura desses clássicos são óculos com alto poder de visão que irá nos dar respaldo para criticarmos a reforma de 350 mil reais no apartamento de um deputado, enquanto outras pessoas têm um barraco carregado pela enchente. Não vejo outro sentido de se buscar educação se não for para nos tornar pessoas libertas, pessoas sensíveis, questionadoras.
Portanto, a vocês que estão se formando, o meu último aviso: Não é o diploma que estão recebendo agora que lhes vai tornar preparados e grandes. A nossa efetiva grandeza alcançamos lendo e questionando o mundo que nos cerca.
Finalizo com esses versos de Alberto Caeiro:
"Eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura".
Professor Joacir Rocha, 22 de dezembro de 2007.
A todos os presentes nesta aula da saudade, o meu boa noite. Aos concludentes, os meus parabéns e a turma do 3º F, em particular, os meus agradecimentos pela homenagem que me fez, escolhendo-me como paraninfo, fato que foge um pouco à tradição da escola do meu tempo (que não faz tanto tempo) quando, quase com exclusividade, eram escolhidas as pessoas que possuíam um maior poder aquisitivo.
Neste momento gostaria de expressar a minha felicidade de participar da última etapa da formação de vocês aqui na Virgílio Correia Lima, na certeza de que contribui com o pouco de conhecimento que adquiri ao longo da minha vida estudantil e fora da escola.
Dos muitos testes por que já passei na vida,foi, trabalhar com essa turma de 3º ano F, um dos grandes testes, se considerarmos as circunstâncias que me levaram a assumi-la. Ninguém dos que estão aqui presentes podem ter esquecido que no 1º bimestre deste ano letivo(2007) essa escola chorava a perda do nosso inesquecível colega Neuzemar. Esse mesmo colega que nos deixou a lição de que a vida é feita de desafio e para essa tarefa são contempladas as pessoas mais corajosas, as mais guerreiras. E foi com esse pensamento que entrei nessa escola para assumir a desprestigiada tarefa de professor.
Para quem já me conhece, como o próprio Neuzemar me conhecia, sabe que eu acredito muito na leitura como meio de libertação. E foi isso que eu tentei fazer ao chegar aqui. Encontrei muita resistência, é claro. Mas continuo acreditando que defendo o certo.
Não podemos fechar os olhos para a realidade. É fato que temos um percentual considerável dos que agora se formam ainda sentindo dificuldade de compreender um texto simples. Isso é preocupante, pois o homem deve buscar a libertação através da palavra. Espero que dentro de cada um de vocês esteja vivo o sonho da liberdade, não só a busca de um emprego, da aquisição de um bem material. Já seria um grande avanço neste começo de século.
Não deixa de ser um erro da escola quando deixa transparecer para o aluno que nessa instituição deve se buscar menos o conhecimento do que um passaporte para um emprego. Quantos de nós não ouvimos a frase: Isso aqui é bom estudar por que vai cair num concurso. Esse pesadelo começa desde os anos iniciais do fundamental e não termina no Ensino Médio. Um reflexo vivo da desigualdade social que toma conta do nosso país. Quantos não abandonam os estudos porque são obrigados a trabalhar? É o emprego que as pessoas das camadas menos favorecidas buscam. Conquistado isso, estão realizadas. É um problema tão grave quanto tantos outros que afetam a nossa sociedade. Infelizmente não é levado a sério.
Em “a sociedade sem escola Ivan Illich, contrapondo-se ao senso comum, diz que “não é a escola que vai garantir o fim da desigualdade social, mas é o fim da desigualdade social que vai garantir um ensino de qualidade”. Sabemos que as pessoas que vêm dos recantos desse município de Pereiro, que são obrigadas a trabalhar, em um dado período, 8 horas por dia, têm pouca condição de vencer na vida através do estudo, mesmo considerando todas as “facilidades”que muitos afirmam ter hoje.
É com essa visão que eu busco, insistentemente, fazer com que o meu aluno desperte para conhecer a realidade na qual nós, nordestinos interioranos, estamos inseridos. Para isso eu julgo indispensável para se formar cidadãos com capacidade de agir criticamente sobre os fatos, a leitura de um Josué de Castro, de Rodolfo Teófilo, de Domingos Olympio, Gilberto Freire e do nosso inigualável Graciliano Ramos. Certamente a leitura desses clássicos são óculos com alto poder de visão que irá nos dar respaldo para criticarmos a reforma de 350 mil reais no apartamento de um deputado, enquanto outras pessoas têm um barraco carregado pela enchente. Não vejo outro sentido de se buscar educação se não for para nos tornar pessoas libertas, pessoas sensíveis, questionadoras.
Portanto, a vocês que estão se formando, o meu último aviso: Não é o diploma que estão recebendo agora que lhes vai tornar preparados e grandes. A nossa efetiva grandeza alcançamos lendo e questionando o mundo que nos cerca.
Finalizo com esses versos de Alberto Caeiro:
"Eu sou do tamanho do que vejo
e não do tamanho da minha altura".
Professor Joacir Rocha, 22 de dezembro de 2007.
sábado, 19 de junho de 2010
O Tesouro
Atrás do Cristo, cercada de ondas
A Lua aparece sem disfarce
Mostrando inteira a sua face
Em tom prateado e bem redonda.
Diversos olhares fazem uma ronda
Para contemplar o tesouro de prata
Viajante protegido dos piratas
Sem segurança a Lua anda
Cortando sem ferir o céu.
Às vezes se protege com um fino véu
Formando uma sensualíssima tela.
Amada sem amar más provém dela
A frase de amor mais completa
Lua, um esboço de poesia concreta!
Francisco Joacir Rocha.
Atrás do Cristo, cercada de ondas
A Lua aparece sem disfarce
Mostrando inteira a sua face
Em tom prateado e bem redonda.
Diversos olhares fazem uma ronda
Para contemplar o tesouro de prata
Viajante protegido dos piratas
Sem segurança a Lua anda
Cortando sem ferir o céu.
Às vezes se protege com um fino véu
Formando uma sensualíssima tela.
Amada sem amar más provém dela
A frase de amor mais completa
Lua, um esboço de poesia concreta!
Francisco Joacir Rocha.
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