sexta-feira, 2 de julho de 2010

Suco de laranja

Suco de laranja

O Brasil se despede hoje da Copa do Mundo e deve sobreviver durante quatros anos das lembranças dos cinco títulos mundiais que somou ao longo da história. Como a perda sempre traz dores, principalmente quando se tem certeza da vitória, acredito que neste momento quase todos os brasileiros se encontram tristes porque a seleção de Dunga volta da África do Sul decepcionada por não ter conseguido passar pelo primeiro teste de fogo nesta copa, que era superar o organizado time holandês. Digo quase todo porque há aqueles, que com eu, não estão surpresos com tal acontecimento.
Em primeiro lugar devemos admitir que o Brasil se preparou mal para esta competição. Até mesmo os leigos em matéria de futebol, como eu, devem admitir que a nossa seleção não estava organizada para superar esta pedreira e outras maiores que ainda estavam por vir até chegar ao hexa campeonato. Que a justiça seja feita pelo menos uma vez na vida. O Brasil derrotou, em duas copas consecutivas, o time que hoje sai vitorioso. Em 1994, um suado 3x2, sendo que terceiro gol da seleção de Parreira saiu dos pés do lateral Branco, já quase sem forças no combate contra a Laranja, no final do segundo tempo. Uma prorrogação certamente seria um pesadelo para a seleção comandada por Romário. Quatro anos depois, na copa da França, mais uma queda do time hoje comandado por Sneijder, desta vez em cobranças de pênalti. Com a simplicidade com que foram comemoradas estas vitórias deve ser encarada esta derrota por 2x1 para este time eficiente da Holanda.
Da derrota podemos tirar grandes lições. Uma delas é que o Brasil não é mais absoluto no mundo futebol, ao que devemos da graças a Deus. É preciso que o Brasil busque mostrar a “sua cara” completa no exterior. O mundo precisa saber que o Brasil não se compõe apenas dos vinte e três jogadores que integram o elenco da seleção. É possível que muitos brasileiros não tenham contido as lágrimas porque não viram o Kaká brilhar, ou porque não se deliciaram com as pedaladas do Robinho no momento em que o time mais precisava, ou ainda porque o maior goleiro do mundo, Júlio César, tanto enfatizado por Galvão, tenha tomado um gol tão amador. Acho que até mesmo aqueles que perderam a televisão de quatorze polegadas, o álbum de fotografia dos craques, o sofá, a casinha construída com tanto sacrifício, nas enchentes de Alagoas e Pernambuco tiveram as lágrimas ampliadas com a desclassificação da seleção.
Uma parte ínfima do Brasil se despede da África do Sul, mas um Brasil imenso permanece aqui. Um Brasil que perde em educação, saúde qualidade de vida, segurança, enfim, sem demonstrar qualquer vergonha, para países que nem foram classificados para o torneio mais importante do mundo. Quem ver isso com indignação é sem dúvida o verdadeiro torcedor. Como brasileiro, continuo, embora perdendo, torcendo para que o Brasil ganhe e faço o convite para que todos empunhem a sua bandeira. Cuidar dos desabrigados das chuvas no Nordeste já é meio gol. Comemoremos! Não mascarar os problemas que temos com o manto do futebol é um golaço. Vibremos! E para continuarmos atacando, devemos, uma vez por outra, tomar um suco de laranja como esse de hoje. Assim o Brasil inteiro ganha de goleada e um sorriso grande se abre no rosto de todo o mundo.
Joacir Rocha,02/06/2010