Quem vai rir de quem?
Brasil e Argentina começaram este mundial deixando transparecer que o título do torneio havia sido feito com exclusividade para eles. Paraguai, Chile e Uruguai apenas compunham o grupo das 32 seleções. A imprensa brasileira se encarregava de estimular a guerra fora de campo de humorista Maradona contra jogadores, comissão técnica e até mesmo com Pelé. “Messi joga por meio time do Brasil”, disse o herói do título, da maior rival do Brasil, de 1986. “Pelé deve servir de peça de museu”, expressou-se o homem que prometeu pousar nu, caso a sua equipe fosse campeã. Do outro lado as provocações não deixavam de vir. “A Argentina virou nossa freguesa”. “A zaga do time de Maradona não suportaria um Kaká inspirado”.
Diante de tantas provocações e prepotência, é cabível a pergunta: onde fica o espírito desportivo? Se já se tivesse a certeza de quem sairia vitorioso se dispensaria a necessidade de disputas. O esporte deveria ser visto por todos como um meio de amenizar antigos conflitos, e não para estimulá-los. Se entendêssemos que o futebol é uma arte, aplaudiríamos o artista que melhor soubesse usar as suas ferramentas para produzir algo que encantasse os admiradores. Um chileno que gosta de Neruda porque é o melhor poeta do país não deve achar o nosso Drummond descartável. Com estilos e temáticas diferentes, os dois artistas não devem ser comparados. Todavia, aquele que aprecia ou tem a intenção de escrever versos pode beber na fonte dos dois e fortalecer-se com isso.
O mesmo pode ser dito sobre Pelé e Maradona. Que os dois foram geniais com a bola no pé, é indiscutível. Qualquer aspirante a jogador de futebol não sai perdendo se a inspiração vier deles dois. Não sinto vergonha de dizer que admirava bastante o jeito do camisa 10 da argentina jogar. E que mal faz um argentino dizer que se encantava com o Rei do Futebol? A imprensa dos dois países é que criam essa barreira idiota. Necessariamente um não deve se anular para o outro aparecer. Os dois teriam vaga na minha seleção de botão, sem briga e sem troca de farpas.
É provável que essa aproximação entre Brasil e Argentina já esteja bem madura. Apenas um dia separou as saídas das duas seleções deste mundial. Com um pouquinho de esforço teriam pegado o mesmo vôo. Os argentinos devem ter rido com a virada impiedosa dos holandeses sobre os brasileiros atônitos. No dia seguinte (03/07/2010) foi a vez do time de Maradona ser detonado pela esmagadora Alemanha. Ainda por cima Messi e Kaká voltam da África do sul sem terem feito um gol. Foi combinado!
A guerra entre os dois países dever ter uma pausa prolongada uma vez que os dois times favoritos caíram do cavalo possante. Os fracassados Brasil e Argentina devem bater a poeira do orgulho e torcerem pelo modesto Uruguai no seu rocinante contra os moinhos de pedra da Holanda e, se resistir, da Alemanha. No mínimo, o time celeste volta do torneio com a melhor classificação americana para matar de inveja os orgulhosos brasileiros e argentinos. Só os uruguaios podem perguntar: Quem vai de quem?
Joacir Rocha(04/07/2010)
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Joacir, hoje esperava e queria apenas fazer uam rápida visita ao seu blog sem maiores delongas, mas depois dessa sua análise singular e com um outro ponto de vista, sou obrigado a parar e concordar plenamente com você, não pela forma com que Brasil e Argentina perderam ou se tratam (isso acabou se tornando histórico entre os vizinhos sul-americanos), mas como é alimentada essa rivalidade.
ResponderExcluirEu sempre tenho comentado com meu pai e outras pessoas que as maiores rivalidades e deselegâncias vistas no futebol são 90% causadas pela imprensa, que atiça e muitas vezes valoriza e trata tal comportamento natural entre seleções ou times rivais, mas logo depois se contradiz dizendo que o futebol é uma forma de se conseguir a paz. Que paz é essa, a paz teórica que não sai do pensamento e palavras dos hipócritas jornalistas?
Em outras palavras, você mesmo não sendo um asíduo acompanhador do futebol, conseguiu detectar o pricipal problema ao meu ver desse esporte: o sensacionalismo jornalístico.